sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Brasil registra altíssimo número de homicídios em 2014

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) lançou no mês de setembro seu 9º Anuário com os dados das mortes no Brasil. Os números, mais uma vez, assustam e um novo recorde, ruim, é atingido. Para esboçar o quadro geral, a cada nove minutos uma pessoa é assassinada no País.

Os dados são uma compilação de 2014, que superou em 2.681 os assassinatos de 2013. No ano passado 58.599 pessoas foram mortas por homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte, latrocínios e ações policiais, já no ano retrasado foram 55.878. Isso reforça o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2014, ao dizer, em números, que o Brasil é o país com maior índice de homicídios no mundo. ‘De cada 100 assassinatos no mundo, 13 são no Brasil’. Não precisa muito para saber que a violência nos municípios e estados só tem aumentado, basta ler os jornais, assistir os noticiários ou mesmo ter amigos ou familiares na relação.

Analisando o 9º Anuário de Segurança Pública ficamos um tanto quanto sem esperança em relação à redução desses números e reais mudanças. A expressão usada pela jornalista María Martín, em uma reportagem sobre o tema, cabe bem aqui: “Um cenário de crise endêmica”. É como se a população de uma cidade como Coruripe (AL), com 52.160 habitantes, fosse dizimada anualmente. Voltando ao Anuário, o estado de Alagoas, esteve antes, e ainda está em primeiro lugar no ranking quando falamos em taxa de homicídios. A região Nordeste tem o maior índice de mortes.

A taxa que antes era de 27,8 óbitos a cada 100 mil habitantes saltou para 28,9. Os dados brasileiros são grandes, mas há uma discrepância relevante se comparado a outros países, como Honduras, com 90,4, por exemplo, ou a Venezuela, com 53,7, de qualquer forma, o valor continua sendo muito alto para especialistas. De fato o é!

Há oito anos a SSP produz o Anuário de Segurança Pública, em razão disso o material se tornou referência quando o assunto é violência no País. Outro viés pontuado, que também preocupa, são as mortes causadas por policiais. Em 2013, cerca de seis pessoas foram mortas por dia nas mãos deles. Os agentes brasileiros ceifaram 11.197 vidas em apenas 5 anos. Coseguimos superar até a polícia norte-americana em três décadas. A secretária-executiva da ONG (Organização Não Governamental) Fórum de Segurança, Samira Bueno, diz com propriedade: “As polícias brasileiras mantêm um padrão absolutamente abusivo do uso da força letal como respostas públicas ao crime e à violência”

Uma mudança de paradigma é necessária para que esses números caiam drasticamente. Claro que levará tempo para termos resultados, mas projetos, trabalhos e ações mais efusivas precisam ser tomadas, e para ontem. Por exemplo: Qualificação da polícia como um todo, desde o setor administrativo/estratégico até às equipes externas. Reeducação dos prisioneiros dentro e fora dos presídios através de trabalhos que possibilitem a ressocialização dos mesmos. Um começo pode ser o que tem sido feito nos EUA.

Dados de pesquisa da OMS