terça-feira, 4 de novembro de 2014

Perfil Semanal - Vereadores de Itu

Nascido à rua Santa Rita, em 1944, Olavo Volpato é mais um ituano que tem seu espaço reservado dentro da Câmara Municipal. Hoje, aos 70 anos, Olavo tem uma história rica na cidade.    

Sua infância e adolescência estão ‘registradas’ na Vila Cleto, fundada pelo seu avô, onde viveu até se casar. Seus estudos começaram no Colégio do Patrocínio, mas pararam no 2º ano, afinal o colégio era para mulheres e os homens podiam ficar somente até o segundo ano. De lá, foi para o Cesário Mota, onde concluiu o primeiro grau, mas antes reprovou a 4ª série. O segundo grau se deu no Instituto de Educação Regente Feijó aos 18 anos, pois Olavo precisava trabalhar. Ele é graduado em Ciências Contábeis e Administração de Empresas, voltado para Recursos Humanos (segmento no qual é pós-graduado). Pela Faculdade de Direito de Itu (FADITU) se tornou bacharel em direito, mas não exerce por conveniência.

Volpato foi um líder estudantil, que se comprovou na formatura de 4ª série, cujo nome da turma levou seu nome, devido a organização realizada. “Fui um líder mais pela minha idade do que por outros motivos”, diz humildemente. À época, ele tinha dezoito anos, enquanto seus colegas tinham quatorze. Por causa dessa liderança, o jovem despertou o interesse do candidato a prefeito, Galileu Bicudo, que o convidou para ser vereador. Ferdinando de Marco, presidente do Clube dos Comerciários, deu um empurrãzinho dizendo que Olavo era um jovem promissor. Naquele tempo era difícil conseguir vaga para vereador, pois era o dobro do número de cadeiras que cada legenda tinha, havia três, segundo Volpato. Galileu só podia indicar dez vereadores e sete já ocupavam as cadeiras. “Ele escolheu a mim e mais um, Lázaro Piunti. Nós começamos juntos na política. Isso em 1969”.

Ao ser questionado sobre qual foi a sensação de ser convidado, diretamente, pelo candidato, a fazer parte de sua equipe, nosso entrevistado chega a se emocionar: “Eu gostei, pois ele (Galileu) era um líder popular e eu um garoto pobre, que não tinha recurso nenhum, porém me destacava”, lembra.

POLÍTICA

Antes

A política na década de 60 era bem diferente da atual. Obviamente não havia tamanha tecnologia, os votos eram conquistados de porta em porta. Foi assim que Olavo foi eleito vereador, se apresentando às pessoas, expondo suas ideias e propostas.

Em 1969, por infortúnios políticos, Olavo Volpato se tornou prefeito por dois anos. Os motivos se misturam entre cassação, intervenção e, infelizmente, morte. No período em que estava prefeito, ele diz ter recebido bastante apoio da população. “Fiz uma administração séria, voltada para a educação e adquiri a confiança do povo”, afirma. Ao fim do mandato, quem assumiu foi seu colega Piunti. Porém, quatro anos depois, o jovem que havia coordenado a cidade aos 26 anos, voltou. E o fez com o dobro de votos de seu antecessor.

Agora

Em relação à mudança de horário das sessões, o vereador é contrário. Ele afirma que o importante é estimular a população a ir à Câmara. “Um horário pode ser bom para este e ruim para aquele, cada um vai defender seu interesse”.

Em relação sobre o que mudaria na Câmara, Olavo pontua: “A casa precisa ser modernizada, entrar na era da informática para disponibilizar a população tudo o que se passa. Os vereadores têm que pesquisar mais os assuntos da cidade e acompanhar as legislações.

Logo acima, o vereador disse que é preciso atrair a população às sessões. Perguntei como isso seria feito: “É difícil dizer, pois as pessoas vêm quando tem um tema de seu interesse e não é um bolo, uma barraquinha ou uma cerveja que vai atrair. Acho que estamos precisando descobrir o que o povo quer. Mas acho que hoje, com a informática, as pessoas vão ficar em casa. Elas nem estão indo trabalhar mais, fazem o serviço a partir de suas casas”.


Olavo Volpato, além de vereador, é gerente administrativo da Porcher do Brasil, localizada à Avenida Caetano Ruggieri, 4153. Caso o leitor(a) queira falar com o Olavo (vereador) ou Olavo (da Porcher), pode utilizar esses meios: vereadorolavovolpato@camaraitu.sp.gov.br ou adm@porcher.com.br


domingo, 2 de novembro de 2014

'Sem Água Sem Conta'

Neste último sábado, dia 1, um pequeno grupo de manifestantes se reuniu em frente à Concessionária Águas de Itu e queimaram suas contas de água em forma de protesto.

Moradores de toda cidade têm recebido cobranças, mesmo sem chegar uma gota de água em suas torneiras. Em alguns casos o valor tem sido superior se comparado com as anteriores (antes da crise hídrica). Apesar da prefeitura e da concessionária terem instalado caixas de água em determinados pontos da cidade, diversos bairros ainda sofrem por não ter nada em suas torneiras, a não ser ar.

Um dos motivos do aumento das contas é a pressão do ar no encanamento, fazendo o relógio-medidor girar com maior frequência.

Vejam algumas cenas do protesto:

'Sem Água Sem Conta'

sábado, 1 de novembro de 2014

A realidade ituana pelas lentes da câmera



Itu se tornou um ícone dentro e fora do país por causa da crise de água. Não é novidade para ninguém o que o sudeste brasileiro tem passado nos últimos meses. Mais uma vez o destaque recai sobre Itu, que há um ano tem como companhia o racionamento e a falta de um bem essencial para vida de qualquer ser vivo.

Sinta a realidade através dos links:








As fotos são de Nacho Doce, correspondente da Reuters, que registrou e sentiu as dificuldades da população.

Vejam também a emissora Al Jazeera 'dando voz' ao povo de Itu.

domingo, 26 de outubro de 2014

Água em Itu: Artigo de luxo

A população ituana continua sofrendo com a falta de água que assola a cidade há mais de seis meses. O racionamento já perdura há mais de nove.

Toda a cidade já sentiu o gostinho de ficar sem uma gota d'água nas torneiras. Alguns bairros estão com esse 'sabor' amargo há cerca de 45 dias. Fica até difícil de imaginar como é não poder sanar suas necessidades básicas (escovar os dentes, lavar o rosto pela manhã, tomar banho, lavar roupa, cozinhar, limpar a casa, etc) por mais de um mês. O exemplo a seguir resume, drasticamente, o que as pessoas tem tido de fazer, devido a má administração do governo municipal: moradores têm evacuado em sacos plásticos e jogado em containers. Sim, é isso mesmo! Exemplos como esse têm se repetido com uma frequência entristecedora.

CAMINHÕES PIPA

Desde que a crise hídrica aumentou exponencialmente, a prefeitura colocou nas ruas caminhões pipa para abastecer os bairros mais afetados - é o mínimo. Porém, moradores das regiões listadas para recebê-los dizem que não estão e reforçam que, quando passam pelas ruas, cobram uma taxa de entrega.

A reportagem deste blog está colhendo dados para fazer um balanço de quantos caminhões foram disponibilizados para abastecer a população, saber se os mesmos foram nos bairros anunciados e confirmar se estão cobrando pela entrega da água. Também está na pesquisa quantos litros/dia a Brasil Kirin está cedendo para a prefeitura, para quais regiões e, mais uma vez, se está sendo cobrado.

Para atingir essa meta, peço ajuda dos leitores, dos moradores e de qualquer cidadão interessado em ajudar Itu nesta fase difícil!

Assista aqui dois vídeos da realidade ituana.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Perfil Semanal - Vereadores de Itu

O perfil desta semana é com o vereador Paulo Eduardo Andrade Ortiz, mais conhecido como ‘Eduardo Ortiz’. Um político novo, tanto na idade, quanto em experiência política, porém, se destaca entre tantos outros.

Ituano de 5 de novembro de 1981, irmão de Joana e Rogério (gêmeo), todos filhos de Maria Ignez e Dorgélio Ortiz, cresceu no bairro São Luiz e foi ali onde começou a trilhar seu caminho de liderança. Desde pequeno, sempre era escolhido como representante de classe e de grupos dentro da escola Rogério Lázaro Tochetton, onde estudou. O pequeno Ortiz era ‘alvo’ de todos, pois fazia um bom trabalho e atendia às expectativas de seus votantes. Outra característica marcante nele é aquela vontade de sempre querer ajudar as pessoas, interceder por aqueles que não podem ou não têm como fazê-lo.

Eduardo é católico e aos oito anos, quando aprendeu a tocar violão, marcava presença, todos os domingos, na Comunidade São Luiz Gonzaga, onde até hoje toca, além de ser salmista e dirigir o Grupo de Adolescentes HUVA (Hoje, Unidos, Venceremos o Amanhã). Ele também é o idealizador da ‘Mega Festa São Luiz’, uma quermesse com atrações musicais e uma grande estrutura de palco, som e luz, onde sua banda, ‘Banda Cristo Jovem’, também marca presença. O evento se tornou um ícone entre as festas de rua da cidade.

A vida política de Eduardo Ortiz teve início em 2004, quando se candidatou a vereador, aos 22 anos, o mais novo da cidade. Em 2008, adquirindo cada vez mais a confiança da população, teve 824 votos. Não foi o suficiente para se eleger, mas sua determinação não diminuía, tanto que no ano seguinte se formou em Direito pela FADITU (Faculdade de Direito de Itu), reforçando sua segurança e aumentando suas habilidades para por em prática seus planos. Nas eleições de 2012, lá estava Paulo Eduardo Andrade Ortiz, na luta por seu espaço dentro da Câmara Municipal. Tamanha dedicação e suor renderam 872 votos, elegendo-o vereador de Itu.

De lá pra cá, Ortiz tem colocado em discussão muitos projetos voltados para a cidade e para a população, seu principal foco. Até hoje o vereador colocou à mesa 55 indicações, 16 moções, cinco projetos de lei, três requerimentos, duas resoluções e um decreto. Tudo isso em um ano e dez meses de atuação. Dentre as propostas, a que se destaca é a mudança do horário das sessões para o período noturno - ideia não aceita por nenhum dos vereadores - o intuito é que as sessões iniciem às 18h, para que a população possa participar sem interferir em suas rotinas diárias, sejam elas profissionais ou pessoais.

O vereador apóia também a alternância de poder, um conceito relacionado diretamente ao de democracia e que condena a perpetuidade de dirigentes políticos no poder, pois tal fato desvirtuaria o caráter de um governo popular. Ortiz defende e incentiva esse mote em âmbito federal, estadual e municipal. “É saudável para toda a população. Eu acho que deveria equiparar o legislativo ao executivo ao que tange as eleições. Para o executivo só é válido uma re-eleição, no legislativo não. No legislativo pode ser re-eleito por dez, vinte, cinqüenta anos. Eu sou contra isso”, reforça. Por mais que esse ou aquele governo esteja desenvolvendo um bom trabalho é válido que haja troca, mudança, renovação, pois, como disse o vereador, é saudável. Assim como na agricultura, que a variação do cultivo de plantas diferentes fortalece o solo, alternar os políticos faz bem à política, ao município, estado e ao país.

Paulo Eduardo teve algumas conquistas desde que assumiu a 13ª cadeira dentro da Câmara, mas é só o começo. Há projetos grandes em discussão e muitos por vir. A caminhada não é e não será fácil, mas persistência é mais uma das características presentes neste funcionário público que dá o exemplo dispondo todos seus gastos, suas declarações de renda, mostrando total transparência para com o povo. Em seu site, blog e revista, o cidadão pode conhecê-lo melhor e ficar por dentro das sessões da Câmara, transmitidas ao vivo online e pelo youtube, gravado.

A Era em que vivemos, a digital, facilita muito a comunicação rápida e direta com quem quer que seja. Por isso, o jovem vereador está conectado 24h por dia nas redes sociais. Então, se o leitor quiser entrar em contato com Eduardo Ortiz, acesse o Facebook, o Google+, o Twitter, o YouTube ou até o chat online, ele estará ligado.


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Falta D’Água em Itu: População pede socorro

Semana passada Itu voltou a ser o centro das atenções devido aos protestos da população contra a falta d’água, que atinge a cidade há quase um ano. Na segunda-feira, dia 22, o protesto foi em frente à Câmara Municipal e reuniu cerca de duas mil pessoas.

Como em todo protesto, o início foi pacífico, com repletos cartazes e dizeres variados, além de palavras de ordem. Enquanto os vereadores discutiam no plenário a decretação de calamidade pública, populares gritavam, cantavam e buzinavam. Não demorou muito e alguns manifestantes trouxeram ovos e tomates, que foram arremessados na fachada e janelas da Câmara. Conseguiram até jogar ovos dentro de uma das salas, cuja janela estava aberta.

Vereadores da oposição, entre eles Balbina Oliveira de Paula Santos, Givanildo Soares da Silva (Giva), Eduardo Ortiz e Matheus Costa, pontuaram, nos corredores da Câmara, suas propostas de melhorias ao abastecimento de água e criticando o governo atual pela falta de atitude. Conforme o tempo passava a população ficava cada vez mais impaciente diante à falta de informações. A partir daí as vozes, ovos e tomates foram substituídos por pedras. De dentro da Câmara ouviam-se portas e janelas sendo estilhaçadas, tanto as do piso térreo, quanto as do segundo andar. A insatisfação com a falta de água, que se agrava a cada dia, o descaso da prefeitura e a incerteza de quando serão atendidos, só piorava a tensão. O chão do plenário ficou repleto de cacos de vidro e pedras. O que impressionava mais era o tamanho das pedras.

Para o leitor ter uma idéia, imagine um paralelepípedo, corte-o ao meio, eis as pedras que foram parar dentro das salas. É importante ressaltar dois fatos: ninguém foi atingido e, mais importante, aqueles que praticaram vandalismo não tinham nenhuma ligação com os mediadores do movimento que prezaram e prezam pelo protesto sem violência e sem quebra-quebra. Mas sempre tem os ‘infiltrados’ que gostam de fazer bagunça.

A Guarda Civil Municipal (GCM) contava com dez homens naquele dia e mais 80 em pontos estratégicos da cidade. Sem contar com o apoio do Polícia Militar. Quando a depredação do patrimônio público começou a GCM, a PM e até a Tropa de Choque iniciaram a contenção destes através de bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Os manifestantes tentaram se proteger dentro da Câmara ou se espalhando pelas ruas.


NOVO PROTESTO

Uma semana depois, dia 29, um novo protesto reuniu cerca de 400 pessoas em frente à prefeitura da cidade. A concentração foi bem menor comparado a do anterior, não há um motivo concreto que justifique. Talvez a distância do centro, o mal tempo ou até o maior número de GCMs no local, que contou com 70 homens, segundo o comandante Clemente Bortoleto Júnior, além da PM. Somente a Tropa de Choque não foi requisitada. Desta vez a movimentação também começou pacífica, assim como a primeira, e terminou do mesmo jeito, pacífica. Sem prejuízos ao patrimônio e sem bombas de efeito moral e balas de borracha.

Além dos cartazes, buzinas, palavras de ordem, desta vez o movimento contou até com um trio elétrico, um caixão e até coroa de flores, representando a morte da política de Itu e da própria cidade.

Durante o protesto, um pequeno grupo de manifestantes, entre eles os mediadores (Soraia Escoura, Mônica Seixas e Plínio Bernardi Júnior), além da imprensa, foi chamado para conversar com o secretário municipal de Segurança, Trânsito e Transportes, Coronel Marco Antônio Augusto. Ele ouviu as reivindicações, respondeu as perguntas dos jornalistas, explicou a não decretação de calamidade pública e defendeu o direito da população de manifestar, mas sem vandalismo.

As reivindicações imediatas dos presentes foram somente três: participação popular no Comitê Gestor da Água e no conselho da Agência Reguladora dos Serviços Delegados (AR-Itu), a divulgação dos contratos de concessão dos serviços de água e esgoto, e, por último, o conhecimento do Plano Estruturante, que traz medidas para resolver o problema de falta de água na cidade. Um termo de compromisso, pontuando os pedidos, foi assinado pelo secretário Coronel Marco, pelo superintendente da AR-Itu, Maurício Dantas e pelos organizadores do movimento.

No termo, foi acordado que em 10 dias os contratos de concessão estarão à disposição, a resposta da participação popular virá em até 72 horas (três dias) e a reunião que abordará o Plano Estruturante será datada em duas semanas.

*Confira os vídeos neste link: Falta D'Água Itu - Protesto Câmara Municipal / Depoimentos /

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Itu entra em calamidade pública

É do conhecimento de todos o período crítico de estiagem que o estado de São Paulo está passando há alguns meses, principalmente, a nossa cidade, Itu. Desde fevereiro, mais precisamente dia 5 de fevereiro, o racionamento de água começou em alguns bairros da Cidade Nova, desde então o número de regiões afetadas aumentou.

Há 85 anos o país não enfrentava uma seca tão longa, tanto que diversas cidades do Estado estão com dificuldades para atender a população. Produtores agrícolas também sentem a falta de água. O Sistema Cantareira, composto por quatro reservatórios e que abastece a capital paulista e regiões metropolitanas, totalizando cerca de 9 milhões de pessoas, atingiu um nível tão baixo que já está utilizando o volume morto. Detalhe, nunca antes utilizado.

Se depender da chuva esse volume não abastecerá a população por muito tempo. A previsão de instituições meteorológicas é que as chuvas só voltem com consistência a partir de novembro. Nós não podemos esperar!

Este blog ouviu a assessoria da concessionária Águas de Itu para saber como estão agindo para enfrentar a falta de água. Segundo a assessoria o racionamento foi implantado apenas no distrito da cidade que representa cerca de 20% da população que abrange os bairros Cidade Nova, Novo Mundo, Jardim Europa, Jardim União e Condomínios Cty Castelo e Village Castelo. Com a incidência de chuvas em fevereiro e a redução no consumo de água foi possível suspender o racionamento na região e até o momento não foi retomado de acordo com a assessoria. A população discorda. Eu falei com alguns moradores que nos disseram que o racionamento ainda está acontecendo.

Em março a região central da cidade entrou no grupo de racionamento de forma gradativa. A primeira etapa começou a cortar o fornecimento durante o dia e retomava no período da noite, entre às 18h até as 04h. Atualmente o racionamento já acontece em Itu inteira e não segue o padrão divulgado pela Águas de Itu. Algumas regiões ficam sem água até quatro dias.

Desde de que a falta de água começou a afetar o povo de Itu, os mesmos resolveram se mexer e reivindicar seus direitos através de protestos. Foram dois, um em fevereiro e outro em junho, ambos pacíficos. Para evitar o desperdício e a falta desse bem natural e essencial moradores fazem de tudo para se precaver. Marta Mendes de Arruda, 70, por exemplo, enche todos os recipientes que tem quando a água vem. “Quando vem água, a gente enche tudo. Enche lata, garrafa, balde, o que tiver.” Ela mora em frente à concessionária e já tem uma reserva de 149 garrafas Pet.

As escolas municipais e estaduais da cidade também tiveram que se adaptar com a crise, tanto que os alunos de determinada escola municipal seguem um controle de idas ao banheiro, assim não há tanto gasto. O asilo São Vicente de Paulo, sabendo do problema recorrente que Itu tem, construiu um poço artesiano e, até hoje, as torneiras não secaram. A instituição gasta de 160 a 180 mil litros de água por mês.

Não só Itu, mas como todo Estado, precisa melhorar seu sistema de captação de água de represas, reservatórios, chuvas, entre outros. Afinal não é de agora que a população sofre com a falta d’água. Os governos estaduais e municipais têm que começar a agir incisivamente para evitar a repetição desse cenário triste. Há anos a alegação é que Itu não possui um grande rio para a captação e que seus mananciais são pequenos. Ao todo são sete que fornecem a água que deveria chegar às torneiras dos moradores. A concessionária capta hoje água de sete mananciais: córrego São José, Córrego Gomes, Córrego Braiaiá, Ribeirão Taquaral, Ribeirão Pirapitingui, Ribeirão Varejão e Ribeirão Itaim. Seis barragens ajudam a armazenar a água.

A situação tomou tamanha proporção que o Ministério Público de São Paulo (MP), junto à Promotoria de Itu, orientou à prefeitura que reconheça o estado de emergência e calamidade pública devido à falta e racionamento de água. E tem mais. Um inquérito civil apura a responsabilidade da prefeitura, da Agência Reguladora e da concessionária em relação à escassez e rodízio no fornecimento de água no município.

Segundo o MP, o abastecimento está comprometido não somente por causa da estiagem, “mas vem de anos de má gestão e falta de investimentos sérios no aumento da armazenagem de recursos hídricos e construção de novas barragens, desassoreamento dos já existentes e modernização dos sistemas de tratamento e distribuição”. Na recomendação, o MP também pede que o município e a concessionária apresentem um plano sólido para resolver o problema do racionamento de água e que não dependa exclusivamente das chuvas.

*AÇÕES - Com atenção dedicada aos índices de chuva que ocorrem abaixo da média a concessionária inaugurou em fevereiro uma bateria de 12 poços capazes de atender sozinhos certa de 25 mil habitantes. Os poços profundos realizam captação de água subterrânea que são infinitamente menos sensíveis que as captações superficiais. Além dos 80 poços da própria concessionária, outros poços de propriedades particulares estão fazendo parte do nosso sistema de distribuição. Está sendo desenvolvida a transposição de água de represas particulares a montante de nossas captações com a instalação de bombas móveis. A concessionária ampliou sua frota de caminhões pipa e carretas de água para garantir abastecimento para hospitais, escolas, imóveis públicos e de uso coletivo. A prefeitura e concessionária buscam aprovação de licenças para iniciarem uma nova capitação a 22km do centro de Itu, com intuito para ampliar em 62% a vazão de água bruta para tratamento e abastecimento da cidade”.

*Informações da assessoria


Lago do Cond. Terras de S. José
Prefeitura bombeou água dos lagos
                                       

quinta-feira, 17 de julho de 2014

O placar da Copa

A Copa do mundo acabou e aquela sensação de que o Brasil não iria dar conta do recado foi suprimida pelos elogios de milhares de turistas de 203 países.

Nós brasileiros estávamos apreensivos devido aos atrasos das obras nos estádios, aeroportos e melhorias na mobilidade urbana, afinal os prazos eram curtos, pois houve demora no inícios dos trabalhos, e por conhecermos a morosidade de alguns, senão todos, os setores do país.
É sabido de todos o quão lento as ampliações e construções andaram, mesmo sob o olhar contínuo da Fifa e de seu gestor, Joseph Sepp Blatter. A preocupação, pressão e cobrança era tamanha que Joseph ameaçou, por diversas vezes, mudar a sede da Copa presumindo a não entrega dos estádios. Na época eu concordei com ele. As ameaças trouxeram resultado. É válido lembrar que 23 obras ainda não foram entregues. Entre elas estão áreas de mobilidade, portos e aeroportos. 
Apesar dos atrasos, das preocupações e das dúvidas se conseguiríamos ou não sediar uma Copa do Mundo, como deve ser feito, os resultados surpreenderam a todos. Prova disso é a pesquisa realizada pelo DataFolha na qual foram entrevistados 2209 turistas estrangeiros, de mais de 60 países, entre os dias 1º e 11 de julho, nos aeroportos de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, nas FanFests e locais de grande concentração nos estados de Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, além dos já citados.
O levantamento revela que 83% dos estrangeiros que vieram ao Brasil avaliaram como ótima ou boa a organização do Mundial de seleções. Para 12%, a organização foi regular, para 3% foi ruim ou péssima e 1% não soube responder. A organização e a segurança superaram as expectativas dos estrangeiros. Já as opiniões sobre a mobilidade urbana e o sistema de comunicação ficaram divididas: para a maioria, 60%, a segurança foi melhor do que o esperado, para 34% ficou dentro da expectativa, para 4% foi pior e 2% não souberam responder.

Conforto e segurança foram os itens pesquisados para aqueles que assistiram ao menos um jogo nos estádios e a análise foi positiva: 92% avaliaram com ótimo e bom os quesitos. Para minha surpresa e, provavelmente, de muitos, a qualidade dos transportes até o estádio também foi bem avaliada com 76% de aprovação. Para 14% foi regular, já 6% consideraram ruim ou péssima, os outros 5% não souberam responder.

Outro ponto analisado e de grande relevância foi a hospitalidade dos brasileiros. Nove em cada dez entrevistados têm a opinião de que o brasileiro é simpático e receptivo. Para comparar esses dados, o Datafolha elaborou um índice de avaliação de nove itens, cujo objetivo foi medir o sentimento dos visitantes com relação aos brasileiros e com os serviços do país. Destes nove itens analisados, seis deles os estrangeiros ficaram satisfeitos, com destaque para a hospitalidade, o melhor avaliado. Os três restantes e reprovados estão relacionados ao custo de serviços.

Se fizermos um balanço geral do que funcionou bem ou não na Copa, os pontos positivos se destacam. É o que as pesquisas estão mostrando. Houve problemas, mas qual país que sediou uma Copa ou eventos de grande proporção não teve? O Brasil cumpriu bem seu papel e está sendo parabenizado neste e em outros continentes.

Foram gastos bilhões de reais que, de repente, poderiam ser investidos em saúde, edução e demais setores deficientes, mas agora o país foi e está sendo visto de uma maneira diferente por todo o mundo. Temos que ser inteligentes e fazer bom proveito deste momento.

A pesquisa abordou outros dados que estão detalhados no portal Uol.
   

quarta-feira, 16 de julho de 2014

No Brasil, o futebol não anda bem, mas pior anda a liberdade de imprensa

Por ocasião do Mundial de futebol, Repórteres sem Fronteiras lança uma campanha de sensibilização para denunciar os ataques à liberdade de informação e os atos de violência cometidos diariamente contra os jornalistas no Brasil.

Perante as ameaças, agressões e assassinatos de jornalistas no país do futebol, Repórteres sem Fronteiras dá o apito inicial de uma campanha que procura alertar contra a vaga de violência que se estende sobre o conjunto da profissão. Realizada pela agência BETC, essa campanha está disponível em francês, inglês e português. É composta por um visual com as cores do Brasil acompanhado pelo slogan “No Brasil, o futebol não anda bem. Mas pior anda a liberdade de imprensa”, seguido da bandeira do Brasil com o Cristo-Rei do Rio dentro da esfera azul e levando as mãos à cabeça.

Desde 2004, foram assassinados 21 jornalistas, dos quais 12 no decorrer dos últimos três anos. Executados na via pública, suas vozes foram sacrificadas em nome da corrupção, do narcotráfico e dos conflitos de interesse. “A derrota da Seleção na Copa do Mundo pode ter sido traumática, mas não deve fazer esquecer outras derrotas bem mais graves para o país, em termos de liberdade de informação e em especial de segurança dos jornalistas no Brasil”, sublinha Christophe Deloire, secretário-geral de Repórteres sem Fronteiras.

Desde o início do ano, Repórteres sem Fronteiras já contabilizou pelo menos 54 agressões a jornalistas. No passado mês de fevereiro, pela primeira vez desde o começo das revoltas populares contra a Copa do Mundo, um jornalista – de seu nome Santiago Ilídio Andrade – sucumbiu à violência dos confrontos entre manifestantes e forças da ordem, enquanto cobria uma ação de protesto no Rio para a TV Bandeirantes. No mesmo mês, mais dois jornalistas Pedro Palma e José Lacerda da Silva – foram brutalmente abatidos. O Brasil tem de dar resposta a uma emergência: proteger seus jornalistas.

No passado dia 10 de julho, o secretário-geral de Repórteres sem Fronteiras, Christophe Deloire, se encontrou com o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Thomas Traumann, no palácio presidencial do Planalto, em Brasília, e com responsáveis do Ministério das Relações Exteriores. O secretário-geral insistiu na gravidade dos recentes ataques cometidos contra os jornalistas e evocou os perigos para a liberdade de informação e as recomendações apresentados no relatório “O país dos trinta Berlusconis”, publicado em janeiro de 2013 por Repórteres sem Fronteiras.

O Brasil se encontra na 111ª posição entre 180 países na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa.