sábado, 27 de junho de 2015

Sentimento de traição pelo futebol

Com 111 anos de história, a Fifa (Fédération Internationale de Football Association), órgão responsável pelo futebol mundial, governada pela Suíça e com sede em Zurique, se tornou alvo das investigações do FBI (Federal Bureau of Investigation) por corrupção.

O ponto de partida se deu após sete dirigentes da Fifa serem presos na Suíça, em maio de 2015, por serem suspeitos de embolsar US$ 150 milhões – cerca de R$ 470 milhões – desde 1991. As autoridades americanas alegam que as transações ilícitas foram acertadas utilizando bancos dos Estados Unidos. Fora isso, afirmam ter jurisdição pelo fato de as empresas de mídia do país pagarem o maior valor de direitos de transmissão da Copa do Mundo.

A operação também teria sido motivada pelas investigações feitas pelo ex-procurador de Justiça dos EUA, Michael Garcia, contratado pela Fifa em 2014 para investigar a escolha da Rússia e do Qatar como sede das Copas de 2018 e 2022, respectivamente - o que tem causado tensões internacionais - desbancando a candidatura americana. O relatório final apontou uma série de irregularidades, o que foi ignorado pela entidade máxima do futebol.

As acusações listadas pelo DOJ (Department of Justice) são várias e veementes: fraudes, subornos, lavagem de dinheiro, corrupção desenfreada, sistemática e generalizada na Fifa e em diversos contratos da Concacaf e Conmebol.

Segundo a procurada-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, a investigação do FBI é imensurável, tanto que atingiu todos os níveis dentro da Fifa e entidades ligadas à mesma, além de descadeirar o presidente Joseph Blatter, que foi reeleito por 5 vezes, até renunciar diante tanta pressão. A Copa do Mundo de 2014 também está na mira dos agentes devido à proximidade entre Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, braço direito de Blatter. Em confissões feitas por delatores, confirma-se a existência de subornos, comprovando suspeitas, anteriores a escolha do Mundial da África do Sul, em 2010.

No Brasil o clima também está pesado e também ecoa em todos os níveis. O presidente da CBF, Marco Pólo Del Nero, por exemplo, deixou Zurique um dia após a reeleição de Joseph Blatter, dia 29 de maio, afirmando que queria se posicionar, pessoalmente, às acusações no Rio de Janeiro e São Paulo. As pressões se devem ao seu vínculo com José Maria Marin, que se beneficiou ao receber generosas propinas em campeonatos nacionais e internacionais. De acordo com informações do jornal Folha de São Paulo, Del Nero participou de movimentações financeiras da entidade em 2014, além de estar envolvido em 10 dos 13 contratos comerciais firmados em 2012.


O que acontece agora?

Um processo de extradição da Suíça para os Estados Unidos será instaurado, caso seja aceito, os acusados/presos vão enfrentar o processo judicial e podem pegar até 20 anos de cadeia. O DOJ exemplifica que um contrato da CBF com uma grande marca esportiva americana também está sob investigação, provavelmente seja a Nike, pois passou a fornecer material para a entidade (CBF) em1997, além de contratos ligados à Copa do Brasil.

O mundo futebolístico passa por momentos que coloca seus torcedores dos mais diversos países a questionar os próximos jogos e campeonatos, sejam eles nacionais ou internacionais. A dúvida estará sempre pairando e aquela paixão pelo futebol, que todos conhecemos, está parcialmente manchada. Vamos acompanhar as investigações e torcer para que a paixão não acabe.

Acusados

- Jeffrey Webb (preso) – Presidente da Concacaf – visto como um provável sucessor de Joseph Blatter, que renunciou ao cargo de presidência da Fifa após 17 anos na cadeira, mesmo sendo reeleito.

- Charles ‘Chuck’ Blazer (réu confesso) – Ex-representante da Fifa nos Estados Unidos.

- José Maria Marin (preso) – Ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

- Eduardo Li (preso) – Presidente da Federação da Costa Rica / Membro do Comitê Executivo da Concacaf.

- Júlio Rocha (preso) – Presidente da Federação da Nicarágua / Agente de Desenvolvimento da Fifa.

- Costas Takkas (preso) – Presidente da Federação das Ilhas Cayman / Adido do Presidente da Concacaf.

- Eugênio Figueiredo (preso) – Vice-presidente da Fifa.

- Rafael Esquivel (preso) – Presidente da Federação da Venezuela / Membro do Comitê Executivo da Conmebol.

- Nicolás Leoz (indiciado) – Ex-presidente da Conmebol / Ex-membro do Comitê Executivo.

- José Margulies (indiciado) – Acionista da ‘Valente Corp. and Somerton’.

- Aaron Davidson (indiciado) – Presidente da Traffic USA.

- José Hawilla (réu confesso) – Presidente do Grupo Traffic.

- Daryan Warner (réu confesso) – Ex-agente de Desenvolvimento da Fifa.

- Daryll Warner (réu confesso) – Filho de Jack Warner.

- Alejandro Buzarco (indiciado) – Acionista da ‘Torneos y Competencias’.

- Mariano Jinkis (indiciado) – Acionista da ‘Full Play Group’.

- Hugo Jinkis (indiciado) – Acionista da ‘Full Play Group’.

- Jack Warner (indiciado) – Ex-vice presidente da Fifa (Concacaf).



Joseph Blatter no dia da reeleição


                                                                                                                        *Com informações da Folha de São Paulo